terça-feira, 25 de maio de 2010

Sardinhas

Cansei de ser sardinha... Todos dias tinha que entrar naquela lata, lotada, ligeiramente leviana, uma lata barulhenta, cheia de gente apertada, stressada, mal humorada, depravada, tarada, irritada e muito preocupada, com colega, trabalho, filho, patrão, namorada, uma vida realmente enlatada, no padrão americano.
cansei de tudo isso, mandei tudo pro ar, queimei minha carteira de trabalho, numa fogueira de desilusão, me escondi num paraíso, longe das redes sociais, das iscas infernais, das paranóias reais.
Pulei fora dos trilhos da rotina, faço a minha vida mais divertida, menos oprimida, menos tímida, mais vivida, com mais sonhos sabor delicia, mais festa, transa e malicia.
Nado num rio sem cadeia alimentar, sem rede pra me pescar, nem isca pra me machucar, meu caminho faço eu... Muitas vezes sou recompensado com solidão e descriminação, mas ninguém fere minha razão e determinação, renacsi com sede de vitória e libertação, minha barba e meus cabelos com o tempo aparecerão, sou um ser real, sem patentes, status, celulares e etc.
Sardinhas enlatadas, de scarpan, cabeça lisa, chapada de popularidade, calça atolada, já que não tem nada pra mostrar mostra o rabo, o rabo de trairá, que se atrai pelo perfume das notas, que se esconde, se encobre, se destrói, para colocar nos ombros seu salário em forma de couro e de cachorro, um podou sardinês enlatado; sardinhas de vaidade aflorada, que colocam os músculos no lugar da cabeça, jogam sua vida fora com um casamento pra mostrar para o polvo que amadureceu uma família que gera receita, fornecida por um governo que te da o pão, mas te nega as ferramentas para prepara-lo; novas sardinhas, velhas sardinhas, onde foi parar a infância das sardinhas? Sardinha enlatada na moda global, sardinha que nem chega a nadar e já é pega numa rede da hora.
Sardinhas, sardinhas e mais sardinhas...

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